A infância trocada por engajamento — o alerta do caso “Bel para Meninas"
- infancialivreoficial
- Sep 22, 2025
- 3 min read
Updated: Oct 7, 2025
Por Gabriela Monteiro
O caso Bel para Meninas vai muito além de uma investigação familiar. Ele escancara como o mercado digital transforma crianças em influenciadores e, por consequência, em vendedores mirins.
Ao promoverem produtos, estilos de vida e comportamentos, essas crianças estimulam o consumismo precoce. Do outro lado da tela, outras crianças começam a se comparar: “Por que eu não tenho esse brinquedo? Por que minha vida não é assim?”. O resultado é ansiedade, frustração e o desejo de ter em vez de ser.
Enquanto isso, quem está por trás da câmera lucra com cliques, likes e compras. Nesse processo, a infância vai sendo trocada por engajamento.
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O alerta dos especialistas
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta que crianças e adolescentes não devem ter vida pública nas redes sociais. Isso porque não sabemos quem está do outro lado da tela, e o conteúdo pode ser distorcido ou usado em crimes como pornografia e exploração. Além disso, especialistas destacam riscos emocionais, sociais e de segurança.Esse fenômeno, conhecido como sharenting (junção de share – compartilhar – e parenting – parentalidade), refere-se ao hábito de pais ou responsáveis divulgarem fotos, vídeos ou informações sobre a rotina das crianças. O problema é que, muitas vezes, essa exposição deixa rastros digitais que comprometem a privacidade e até a segurança futura da criança.
Proteger a infância no ambiente digital exige repensar limites. Isso significa avaliar o que é realmente necessário compartilhar, respeitar o direito da criança à privacidade e entender que likes não valem mais do que uma infância saudável.
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Evidências das pesquisas
• A maioria das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos já acessa a internet, e 1 em cada 3 relata experiências negativas como ofensas, vergonha ou desconforto (Unimed, 2025).
• A exposição excessiva gera bullying virtual, uso indevido de imagens, vazamento de identidade e impactos emocionais (Agência Brasil, 2021).
• Não é apenas questão de privacidade: envolve autoestima, identidade, imagem corporal e comparação social (IBDFAM, 2025).Principais perigos da exposição infantil
• Perda de controle sobre a própria imagem: conteúdo publicado pode ser visto e compartilhado por muitos anos.
• Fragilidade emocional: crianças não estão preparadas para críticas e expectativas de exposição.
• Segurança comprometida: informações pessoais, localização e rotina podem ser usadas de forma mal-intencionada (G1, 2025).
Boas práticas para proteger crianças na internet
• Avaliar antes de postar: “Isso pode constranger meu filho no futuro?”, “Essa imagem revela demais?”
• Controlar quem vê: usar configurações de privacidade, publicar apenas para pessoas próximas.
• Evitar conteúdos íntimos: nada de fotos de pouca roupa ou informações sensíveis.
• Respeitar a criança: perguntar como se sente em relação à exposição.
• Equilibrar atividades: incentivar momentos offline e em família, fora das telas (Unimed, 2025).
Proteger a infância no ambiente digital exige limites claros e consciência de que likes não valem mais do que uma infância saudável.
O caso Bel para meninas
Isabel Peres, conhecida como Bel, iniciou sua trajetória no YouTube em 2012, aos 8 anos, com o apoio da mãe, Francinete Peres. O canal rapidamente ganhou popularidade, tornando-se um dos maiores canais infantis do Brasil, acumulando mais de 14 milhões de inscritos antes de ser removido.
Em 2020, surgiram críticas e denúncias nas redes sociais sobre práticas de adultização infantil, alegando que Bel estaria sendo forçada a gravar vídeos em situações desconfortáveis. O caso gerou grande repercussão, e o YouTube começou a revisar o conteúdo do canal.
Em 20 de agosto de 2025, o YouTube removeu o canal, alegando violação das políticas de segurança infantil. Bel e sua mãe contestaram a decisão, afirmando que sempre produziram conteúdo apropriado para a idade de Bel. Até o momento, o canal permanece removido, e o processo judicial ainda está em andamento. Bel continua a utilizar suas redes sociais para expressar sua opinião sobre o caso e buscar apoio de seus seguidores.
Referências bibliográficas:
AGÊNCIA BRASIL. Exposição excessiva de crianças em redes sociais pode causar danos. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-09/exposicao-excessiva-de-criancas-em-redes-sociais-pode-causar-danos. Acesso em: 21 set. 2025.
G1. Por que redes sociais têm tantos casos de exposição de crianças mesmo com sistemas de detecção. Disponível em:
https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2025/08/13/por-que-redes-sociais-tem-tantos-casos-de-exposicao-de-criancas-mesmo-com-sistemas-de-deteccao.ghtml. Acesso em: 21 set. 2025.
IBDFAM. Sharenting: especialistas avaliam os riscos da exposição infantil nas redes sociais. Disponível em:
https://ibdfam.org.br/noticias/11416/Sharenting%3A+especialistas+avaliam+os+riscos+da+exposi%C3%A7%C3%A3o+infantil+nas+redes+sociais. Acesso em: 21 set. 2025.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Declarações de Evelyn Eisenstein sobre segurança digital infantil. Disponível em: https://www.sbp.com.br . Acesso em: 21 set. 2025.
UNIMED. Exposição na internet: como proteger crianças. Disponível em:
https://viverbem.unimed.coop.br/familia-em-foco/relacionamento-familiar/exposicao-na-internet-como-proteger-criancas/. Acesso em: 21 set. 2025.


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